Expectativas
É preciso abrir mão da vida que planejamos para ser feliz na vida que nos espera
Por Equilibra Psicologia
Esses dias eu escutei no consultório:
“Com 20, eu quero me formar e encontrar o emprego dos sonhos. Com 30, quero estar casada, ter minha casa própria e estabilidade na carreira para poder ter os meus filhos com 32. Com 40, quero ter uma família estruturada e estar em um cargo de liderança. A partir dos 50, quero já ter conquistado tudo o que planejei e começar a aproveitar a vida com mais tranquilidade.”
Talvez você se identifique. A verdade é que a vida é feita de planejamentos. Desde cedo, traçamos metas e estipulamos prazos para nós mesmas. E qual é o resultado disso?
Crise dos 20: “E agora? Terminei a faculdade, mas não tenho certeza se escolhi a profissão certa. Todo mundo parece saber o que quer, menos eu.”
Crise dos 30 anos: “Achei que, aos 30, estaria casado, com filhos e com a vida encaminhada, mas ainda me sinto tentando descobrir para onde estou indo.”
Crise dos 40 anos: “Já conquistei muitas coisas, mas por que sinto que falta algo? Será que ainda dá tempo de mudar tudo e começar de novo?”
Crise dos 50 anos: “Os filhos cresceram, a carreira está consolidada, mas quem sou eu além do trabalho e da família? Preciso reencontrar o que me faz feliz.”
Crise dos 60 anos: “Passei a vida toda correndo contra o tempo, e agora que tenho tempo, não sei bem o que fazer com ele.”
Crise dos 70+: “A vida passou rápido demais… será que aproveitei o suficiente? O que realmente importa agora?”
Não raro escutamos isso no consultório. Pessoas que chegam sobrecarregadas pelo peso dos próprios planos, frustradas porque a vida não seguiu o roteiro que imaginaram. O que muitos não percebem é que a vida não errou com elas. Isso é exatamente o que a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) nos ensina: a soltar a luta constante contra a realidade e a olhar para a vida como ela é — imprevisível, imperfeita e cheia de surpresas. Não significa desistir de sonhos ou abrir mão de objetivos, mas sim desenvolver flexibilidade psicológica: a capacidade de seguir em frente, mesmo quando as coisas não acontecem como planejado.
Então, será que deveríamos ter planejado menos, esperado menos, nos cobrado menos? Acho que não. Afinal, isso faz a nossa vida se encher de movimento e esperança. São eles que nos impulsionam a agir, a construir, a buscar algo além do presente.
O problema nunca foi planejar, mas acreditar que a vida seguirá exatamente como imaginamos.
O problema é enxergar qualquer desvio como um erro.
O problema é esquecer que, no fim das contas, o maior desafio não é fazer a vida caber nos nossos planos — mas aprender a viver a nossa própria vida.
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