Luto
Despedidas que ninguém chama de luto
Por Equilibra Psicologia
Eu já achei que luto era só quando a gente perdia alguém. Pensei isso quando eu perdi o meu avô. Depois, quando me despedi da minha cachorrinha, percebi que o luto também mora no vazio que a gente encontra ao entrar em casa, naquele barulho que não se ouve mais, no espaço do sofá que segue ali, sem ninguém ocupando.
Mas foi só mais tarde, em momentos muito mais sutis, que entendi: o luto também acontece em vida.
Eu vivi um luto quando percebi que planos antigos não cabiam mais na realidade. Quando um simples ato de caminhar, antes tão natural, passou a exigir cuidado, pausa, paciência. Houve luto, também, quando a saúde, que antes eu tomava como certa, deu lugar a um território desconhecido e aterrorizante. E, não menos importante, também vivi lutos silenciosos da passagem do tempo: quando eu saí do colégio. Da faculdade. Quando eu deixei a casa onde cresci. Quando eu me despedi de versões minhas que eu nunca mais iria ver.
Também já vivi um luto pelas outras pessoas. Já lamentei por histórias que não eram minhas, mas que eu acompanhava com o coração aberto. Por amigas que se mudaram para longe. Por relacionamentos de pessoas próximas que se romperam. Por sonhos de quem eu amo que não se realizaram.
Não falam disso com frequência. Mas há perdas que não envolvem morte e, ainda assim, nos colocam de luto. Perdas que nos obrigam a reconstruir quem somos.
E nessa reconstrução, a gente descobre que seguir em frente não significa esquecer. Significa aprender a andar com a dor ao lado. Significa amar a vida de um jeito novo.
Porque, no fim das contas, o luto é a confirmação de que algo foi importante. De que houve afeto, conexão, sonho, esperança.
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