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Terapia

Será que você quer mesmo melhorar?

Por Equilibra Psicologia

O texto da vez pode ser um pouco polêmico. Mas, se você conseguir ficar comigo até o final, ele também pode ser libertador.

Como psicóloga clínica, eu passo os meus dias tentando compreender as pessoas.

Entender por que alguém permanece em um relacionamento que machuca. Por que adia uma decisão importante. Por que repete os mesmos padrões. Por que faz exatamente aquilo que diz que não queria mais fazer.

Na Terapia do Esquema, nós aprendemos que quase nenhum comportamento acontece por acaso. Todo comportamento tem uma função. Até aqueles que nos fazem sofrer.

E isso é importante.

Mas existe uma pergunta que, em alguns casos de terapia, se torna inevitável:

Você quer mesmo melhorar?

Antes de você responder “é claro que sim”, deixa eu explicar.

Porque querer parar de sofrer não é exatamente a mesma coisa que querer mudar.

Muitas vezes, nós queremos apenas que a dor desapareça.

Sem precisar abrir mão do controle.

Sem precisar frustrar alguém.

Sem precisar colocar limites.

Sem precisar enfrentar conversas difíceis.

Queremos uma vida diferente… mas agindo exatamente igual.

Só que melhorar quase sempre cobra um preço. Pra melhorar a gente precisa agir diferente.

E é justamente aí que muita gente trava.

Então, se engana quem acha que a terapia serve apenas para aliviar a dor. Um bom desabafo alivia. Uma boa terapia, não necessariamente. Ela pode, inclusive, tirar o chão por um tempo.

Porque existe um momento da terapia em que a gente para de procurar culpados. Para de negociar com a realidade. Para de esperar que o outro mude primeiro.

E percebe que a vida que tanto deseja vai exigir uma versão de si que ainda não existe.

Essa talvez seja a parte mais difícil do processo.

A terapia não muda a sua vida.

Ela muda você.

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