Emoções
Toda a dor é solitária
Por Equilibra Psicologia
Toda a dor é solitária.
Eu escutei essa frase de uma paciente querida esses dias e ela me bateu fundo. Confesso, fiquei pensando nisso por um bom tempo. Ela parecia ir contra a ideia que defendo em psicoterapia, quando incentivo meus pacientes a construírem relações saudáveis, de entrega, de vulnerabilidade, de conexão. Acredito, invariavelmente, que a conexão cura. Sou a prova viva de que uma rede de apoio salva vidas. As “minhas pessoas” sabem: elas fizeram toda a diferença nos momentos mais obscuros da minha vida.
Mas o que ela trouxe foi algo além disso. Disse que, mesmo com uma família amorosa, amigas atenciosas e um relacionamento presente, a dor é solitária. E estava certa. Existem experiências que ninguém atravessa por nós. Há uma parte da dor que é intransferível, íntima, silenciosa.
É aquele momento em que abrimos os olhos de manhã e ainda não sabemos se o que vivemos foi só um pesadelo ou se é mesmo a realidade. Antes mesmo de levantar da cama, ela já está lá. Não importa se dormimos bem ou mal, se ao lado existe alguém que nos ama ou se temos uma rede inteira de apoio esperando para nos amparar. Há instantes em que a dor é solitária. Em alguns trechos do caminho só nós mesmos podemos percorrer.
É duro reconhecer isso. Duro admitir que, por mais que sejamos amados, há dores que ninguém pode sentir em nosso lugar. Mas também é libertador: se é só nosso, também é em nós que mora a força para atravessar.
Quando reconhecemos que somos nós que acordamos e adormecemos dentro da nossa própria mente, percebemos que o autocuidado não é luxo, é sobrevivência.
Podemos até dividir alegrias, conquistas e afetos, mas é inevitável: passamos a maior parte da vida na nossa própria companhia. É no intervalo entre uma conversa e outra, entre um abraço e outro, que a vida nos leva de volta para nós mesmos.
E se é assim, vale muito cultivar essa companhia com respeito, cuidado e amor, não é mesmo? Essa minha paciente estava certíssima: toda dor, em algum momento, vai ser sentida apenas por nós. Afinal, ninguém estará tão presente em toda a nossa vida quanto nós mesmos.
Você tem sido o tipo de companhia que gostaria de ter para a vida toda?
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